Introdução: o que a Suíça sabe que o Brasil não pratica
Na Suíça, empresas com mais de 50 funcionários são obrigadas por lei a manter equipes treinadas em uso de extintores, com reciclagem a cada dois anos. O resultado: estatísticas de sucesso em contenção de incêndios iniciais acima de 70%. Aqui, apesar de normas técnicas rigorosas, o improviso prevalece. Muitos brasileiros aprendem a usar extintor vendo um vídeo de cinco minutos na internet ou, pior, nunca aprendem. O problema não é falta de legislação — é falta de clareza sobre o que realmente funciona.
A técnica PASS (Puxar, Apontar, Suster, Sweep) existe há décadas e está documentada em protocolos internacionais e em normas brasileiras como a NBR 12962 (que trata de inspeção e manutenção). Mas entre o que a norma diz e o que as pessoas fazem na prática, há um abismo repleto de equívocos. Abaixo, sete mitos que precisam ser desmontados.
Mito 1: "Qualquer extintor funciona em qualquer tipo de incêndio"
O que muitos pensam: um extintor é um extintor. Se está ali na parede, deve apagar fogo, ponto final.
Realidade: Extintores são classificados por classe de incêndio, e usar o tipo errado pode piorar a situação. Um incêndio de classe B (combustíveis líquidos como gasolina e óleo) não pode ser combatido com água — a água vai espalhar o fogo. Um incêndio de classe D (metais pirofóricos) exige pó específico. A norma NBR 12693 estabelece que cada ambiente deve ter extintores adequados à sua classe de risco. A Instrução Técnica IT-21 do Corpo de Bombeiros de SP detalha essa classificação. Antes de puxar o gatilho, você precisa saber exatamente qual tipo de fogo está enfrentando — e qual extintor usar.
Mito 2: "Se o extintor está na parede há cinco anos e nunca foi usado, está pronto para funcionar"
O que muitos pensam: equipamento não usado não estraga. Está guardado, protegido, deve estar em perfeito estado.
Realidade: Extintores exigem inspeção visual mensal e manutenção anual obrigatória, conforme NBR 12962. A pressão interna pode cair, as mangueiras podem degradar, o pó pode se compactar. Além disso, a cada cinco anos é obrigatório fazer teste hidrostático — um procedimento que verifica a integridade do cilindro. Um extintor que nunca foi inspecionado pode falhar no momento crítico, quando você mais precisa dele. A legislação do estado de São Paulo, via Decreto Estadual nº 63.911/2018, exige comprovação de manutenção periódica.
Mito 3: "Puxar a alavanca é o primeiro passo"
O que muitos pensam: você chega perto do fogo, puxa e dispara.
Realidade: O primeiro passo da técnica PASS é puxar o pino de segurança — não a alavanca. Essa é uma distinção crítica. O pino está ali para evitar disparo acidental durante o transporte. Você o remove com um movimento firme, depois sim segura a alavanca. Alguns extintores têm lacres de segurança que precisam ser quebrados antes. Ignorar essa sequência pode custar segundos preciosos ou deixar o equipamento travado. Em um cenário de pânico, essas frações de segundo fazem diferença.
Mito 4: "Você deve apontar o bocal direto na chama"
O que muitos pensam: quanto mais direto, melhor. Aponte para o coração do fogo e dispare.
Realidade: Apontar para a chama é ineficaz. O correto é apontar para a base do fogo — onde o combustível está queimando. Isso porque você quer sufocar ou esfriar a origem da combustão, não apagar a fumaça visível. Se você aponta para cima, o agente extinguidor passa pelo fogo sem fazer efeito real. Além disso, dependendo do tipo de extintor (pó, espuma, CO₂), o comportamento do agente é diferente. Extintores de pó devem ser apontados ligeiramente para baixo, em ângulo, para maximizar a cobertura.
Mito 5: "Uma vez que você começa, tem que esvaziar o extintor inteiro"
O que muitos pensam: se começou, termina. Não adianta parar no meio.
Realidade: Você deve sustentar a pressão e o jato de forma contínua, sim, mas se o fogo for controlado antes do extintor acabar, você para. A ideia de "suster" (o S de PASS) significa manter o disparo pelo tempo necessário para abafar o fogo — não mais, não menos. Esvaziar um extintor em um fogo que já está sob controle é desperdício e pode colocar você em risco se precisar de outro extintor para uma segunda ocorrência no mesmo local. Além disso, cada segundo de disparo esgota uma reserva limitada de agente.
Mito 6: "Depois de usar o extintor, ele fica vazio e pode ser jogado fora"
O que muitos pensam: item descartável, como um spray qualquer.
Realidade: Após o uso, o extintor deve ser recondicionado — uma operação que envolve limpeza, recarga e inspeção. Não é apenas reabastecer. A NBR 12962 detalha o processo de manutenção pós-uso. Além disso, extintores que falharam (não dispararam quando acionados) também precisam ser inspecionados, pois podem ter problemas mecânicos ou de pressão. Descartar um extintor sem recondicionamento é violação de normas ambientais e de segurança. Ele precisa retornar a um fornecedor credenciado pelo INMETRO para ser reavaliado e recolocado em serviço.
Mito 7: "Se o extintor está vencido, ainda funciona — vencimento é só burocracia"
O que muitos pensam: a data é apenas administrativa, não afeta a funcionalidade real.
Realidade: O vencimento de um extintor não é burocracia — é a data até a qual o fabricante garante performance. Após essa data, a pressão interna pode ter caído, o agente pode ter se degradado, e a eficácia não é mais certificada. Legislação estadual estabelece multas e responsabilidades por manutenção inadequada. Usar um extintor vencido em um incêndio e ter falha pode resultar em processos civis e criminais, além de perdas materiais e de vidas. Empresas são obrigadas a manter registros de inspeção e manutenção — essa documentação é frequentemente solicitada em auditorias de segurança e em investigações pós-incêndio.
A sequência PASS na prática
Agora que os mitos caíram, aqui está o que realmente funciona:
- Puxar o pino de segurança — remova o lacre ou pino com movimento firme e seguro.
- Apontar para a base do fogo — não para a chama, mas para onde o combustível está queimando.
- Suster o gatilho/alavanca — mantenha o disparo contínuo enquanto avança lentamente.
- Sweep (varredura) — mova o bocal de um lado para o outro, cobrindo toda a área de queimação, em movimento de varrição.
Essa sequência está documentada em protocolos internacionais de resposta a emergências e é consistente com o que a NBR 12962 recomenda sobre operação segura. O tempo total de disparo varia entre 8 e 15 segundos, dependendo do tamanho do extintor e da intensidade do fogo.
Por que o treinamento faz diferença
Pesquisas internacionais mostram que pessoas treinadas controlam incêndios iniciais em 60-70% dos casos. Pessoas sem treinamento, em apenas 15-20%. A diferença não é força ou coragem — é conhecimento. Um incêndio pequeno que poderia ser controlado em 30 segundos com a técnica correta pode se transformar em um desastre se abordado com improvisação.
Muitas empresas em São Paulo cumprem a legislação apenas no papel — instalam extintores, recebem o certificado de conformidade com o Decreto Estadual nº 63.911/2018, mas nunca fazem treinamento prático com os colaboradores. Isso é risco negligenciado. A NR 23 (norma de proteção contra incêndio no trabalho) exige que equipes de resposta sejam treinadas. Não é recomendação — é obrigação.
"A manutenção periódica e o treinamento são elementos tão críticos quanto o equipamento em si. Um extintor bem mantido nas mãos de alguém que não sabe usá-lo é apenas um cilindro bonito na parede." — Princípio consolidado em normas de segurança contra incêndio
O papel da inspeção contínua
Além do treinamento, há outra falha comum: falta de inspeção visual mensal. A NBR 12962 exige que alguém verifique, a cada mês, se o extintor está no lugar, se o manômetro marca pressão adequada, se não há danos visíveis. Essa inspeção leva cinco minutos e pode evitar surpresas em uma emergência. Muitos edifícios comerciais nem fazem isso — o extintor fica ali, invisível, esquecido, até o dia em que é necessário.
A solução passa por três pilares: equipamento correto e bem mantido (conforme NBR 12693 e NBR 12962), treinamento regular da equipe, e inspeção contínua. Nenhum dos três pode estar ausente.
Realidade nas emergências
Quando uma emergência acontece, não há tempo para consultar manuais. O que vale é o reflexo, o treino, o conhecimento que está gravado no corpo. Por isso campanhas de conscientização e simulados são comuns em países com baixas taxas de incêndio descontrolado. Aqui, ainda há resistência à ideia de que segurança contra incêndio é investimento, não custo.
A RetenFire Extintores, credenciada pelo INMETRO (registro 003990/2012), atua em Guarulhos e Grande São Paulo, oferecendo não apenas equipamentos, mas também orientação técnica sobre manutenção e uso correto. Contato: WhatsApp (11) 95610-2994.
Este conteúdo tem caráter informativo. Prazos, valores e exigências podem ser atualizados — consulte a norma vigente e o Corpo de Bombeiros do seu estado.